A Obra da Cruz

“E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.” (Colossenses 02.13-15)

Não foi por acaso que, no filme “A Paixão de Cristo”, a cruz recebeu um lugar de destaque. Toda a história, desde o Getsêmani, passando pelo Sinédrio judaico e o Pretório romano, se desenvolveu tendo em vista a cruz. Mel Gibson, entendendo a mensagem do Evangelho, a proclamação de Deus, apresentou a cruz como o ponto central do seu filme.

Desde os primeiros séculos da história da igreja, os cristãos escolheram um símbolo para representar a fé em Jesus. Essa escolha não foi casual e nem imediata. Levou um período de tempo até que todos concordassem com o uso de um símbolo que fosse universal para a fé cristã. Os desenhos nas catacumbas romanas revelam os primeiros modos como os cristãos representavam a sua fé: em algumas, está o desenho de um pão; em outras, de um peixe; em outras ainda, o desenho de uma pequena arca, referindo-se à história da salvação de Noé. Contudo, nenhum desses símbolos era universal, porque não conseguiam expressar com inteireza a mensagem do Evangelho.

Pouco a pouco, um símbolo foi sendo ressaltado no meio dos demais: a cruz. Os cristãos perceberam que ela conseguia representar tudo aquilo que a mensagem cristã anunciava: o sofrimento e morte de Cristo, e o refrigério e liberdade do cristão.

Nos dias de hoje, o grande problema da humanidade é a ausência de liberdade. Não estou me referindo à liberdade de ir e vir, mas de viver de maneira saudável. A maior parte das pessoas freqüenta consultórios de psicólogos e psiquiatras para tentarem se ver livres da culpa. Além disso, há muitos homens e mulheres que estão doentes não por algum problema físico, mas por guardarem uma tremenda culpa no coração. O mundo está cheio de pessoas aprisionadas pela culpa ou por demônios, que também podem oprimi-las e escravizá-las.

Quem gosta de viver debaixo de culpa e condenação? Qual é a pessoa que se sente bem vivendo sob opressão demoníaca? A mensagem da cruz é a única proclamação capaz de libertar as pessoas. Essa foi a mensagem que Paulo proclamou aos colossenses, explicando aos cristãos de lá o que aconteceu na cruz do Calvário (Colossenses 2.13-15).

A cruz nos livrou da culpa

Esse sentimento sempre foi inerente a todas as pessoas, em todos os tempos e em qualquer parte do mundo. O sentimento de culpa é resultado do pecado, que faz nascer no coração do homem uma percepção de que alguma coisa está errada, precisando ser corrigida. Quando os homens primitivos levantavam os seus deuses de pedra e lhes ofereciam sacrifícios, eles agiam motivados pelo sentimento de culpa que queriam apagar. Quando, na idade média, um grupo de flagelantes saía às ruas chicoteando o próprio corpo; quando alguém coloca uma cruz nas costas e segue em peregrinação até outra cidade a quilômetros de distância; quando os cristãos de Colossos abraçavam filosofias, seguiam rituais, obedeciam regras, flagelavam o corpo; todos eles seguiam ou se penitenciavam motivados, impulsionados pelo mesmo sentimento.

Mas o sentimento de culpa não afligiu apenas as pessoas do passado. Ele continua escravizando muitas pessoas no presente e de maneira muito sutil. Há pessoas que, nos dias de hoje, não conseguem prosperar na vida. Elas conseguem, talvez, subir alguns degraus de prosperidade, mas depois ficam paralisadas, não conseguem continuar superando obstáculos. Dentro delas existe algo como uma voz, lhes dizendo que não seria justo elas continuarem prosperando; que outras pessoas continuam na pobreza; que alguns poderiam ficar ofendidos ou chateados. Essas pessoas, então, ficam são tomadas por um sentimento de culpa que as trava na miséria; ficam iludidas pela suposição de que assim conseguirão pagar pelo “erro” apontado pela consciência.

Há muitas pessoas que estão solteiras porque estão escravizadas por algum sentimento de culpa. Alguns vêem a mãe sozinha e são levadas a imaginar que, se contraírem matrimônio, estarão praticando um ato de traição, abandonando aquela que sempre foi companheira e se desdobrou para cuidar da filha. Outras pessoas jamais se casam porque pensam que não podem deixar outros as considerarem bonitas; têm medo de ser admiradas e receber elogios; pensam que devem continuar feias e espantando interessados ou interessadas por não se acharem dignas do apreço de alguém. Na verdade, não casar é uma tentativa de sacrifício para apagar o sentimento de culpa causado pela própria consciência.

O sentimento de culpa se manifesta ainda de outras maneiras: através das penitências ou das boas obras; da auto-acusação e condenação; da auto-humilhação e do complexo de inferioridade. Tudo isso são atitudes que as pessoas tomam tentando uma compensação, tentando “pagar pelo pecado” que gerou esse sentimento. Sabedor dessa disposição, Paulo escreveu aos cristãos: “Ele nos perdoou todas as nossas transgressões.” (Colossenses 2.13) O remédio para o sentimento de culpa é o conhecimento do perdão de Deus. Se Deus perdoou o pecado, não existe mais necessidade de sacrifícios e, assim, não há mais base para o sentimento de culpa. Sendo assim, você precisa entender que está livre para fazer tudo aquilo que pode fazer.

Ouça, portanto, a Palavra de Deus. Liberte-se da escravidão. Seja livre do sentimento de culpa. Você só precisa entender que Deus já perdoou todas as suas transgressões. Não existe mais nada a ser feito, nenhum sacrifício a ser oferecido; você não deve mais nada a ninguém. Você não precisa se sacrificar, se penitenciar, se restringir para tentar aplacar o sentimento de culpa: o sacrifício já foi feito, de uma vez para sempre, ali na cruz do Calvário.

Lucas 18.9-14; Romanos 7.12; Colossenses 2.14

Enquanto por um lado as pessoas se sacrificam para tentar aliviar o peso trazido pelo sentimento de culpa, por outro lado elas observam algumas regras para tentar conquistar o agrado de Deus. Esse era, por exemplo, o modo de vida dos fariseus. A parábola de Lucas 18.9-14 é bastante clara para mostrar que o fariseu buscava se justificar diante de Deus através das boas obras que realizava. Ele acreditava que seria aceito por causa da observância de algumas regras; contudo, ele se enganou. Jesus afirmou claramente que isso jamais poderá justificar alguém diante de Deus.

O problema disso tudo não é a lei em si mesma. O próprio apóstolo Paulo afirmou: “De fato a Lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom.” (Romanos 7.12) Assim, o problema é a incapacidade que o ser humano tem de observar, fiel e diariamente, todos os preceitos da lei. Se, porventura, ele deixa de obedecer a um único princípio da lei, ele se torna culpável, responsável por uma dívida. Dessa maneira, a lei, ao invés de trazer alívio para o homem, traz mais peso; ao invés de uma recompensa, traz dívida.

Imagine que você tenta se justificar diante de Deus através das obras da lei. Você sabe que o segundo maior mandamento é amar o próximo como você se ama. Diariamente, você ora a Deus e lhe apresenta as suas motivações. Você afirma que ama as pessoas e que irá fazer o bem a todas elas. Então, você sai de casa e se depara com uma pessoa que parece muito bem sucedida. Ela começa a conversar com você e a pedir algumas informações sobre a cidade. Você está impressionado com a conversa e com as palavras daquele homem tão ilustre. De repente, aparece um mendigo pedindo algum dinheiro e você, querendo prestar atenção à conversa, não dá a mínima atenção para o mendigo. Ainda que você não perceba, você acabou de quebrar o segundo mandamento, fazendo acepção de pessoas. Diante disso, você se tornou responsável por uma dívida cobrada pela lei.

Este foi apenas um exemplo. O que dizer das outras vezes em que a lei ordenou você a amar e você desprezou; a repartir, e você ficou com tudo; a ajudar, e você foi embora; a orar sem cessar, e você foi negligente; a dar o dízimo, e você ficou com ele; a visitar, e você ficou em casa? Você mesmo quebrou a lei diversas vezes e se tornou responsável por uma dívida. Essa era a situação dos cristãos de Colossos. Por isso, Paulo, mais uma vez, lhes anuncia a obra da cruz, dizendo que Deus “(…) cancelou a escrita de dívida que consistia em ordenanças, e que nos era contrária. Ele a removeu, pregando-a na cruz.” (Colossenses 2.14)

Na cruz, toda essa dívida que existe pelo não cumprimento total da lei já foi paga. Todo o registro das suas falhas, Deus o tomou e o pregou na cruz do Calvário. Ali, na cruz, por causa do sacrifício de Jesus, o pagamento das suas obrigações e débitos foi realizado. A cruz nos livra da escravidão trazida pelo legalismo, que exige que façamos várias coisas para sermos aceitos por Deus.

Colossenses 2.15

Contudo, não apenas a culpa ou o legalismo que tentam escravizar o ser humano. A Bíblia afirma que o diabo e seus demônios também agem para oprimir as pessoas. No ministério de Jesus, nós temos vários exemplos de pessoas que foram libertas da opressão de demônios. Não se pode ignorar esse fato.

Os cristãos de Colossos conheciam muito bem essa realidade espiritual. Eles sabiam da existência de espíritos malignos, do poder que eles possuíam e da capacidade que tinham de escravizar pessoas. De fato, há muitas pessoas que, atualmente, estão deprimidas não por causa de algum problema fisiológico, mas sim por causa de opressão demoníaca. Outras se encontram extremamente perturbadas na área sexual; não conseguem se dominar e sentem escravizadas ao desejo de se prostituir ou adulterar. Outras, ainda, permanecem subjugadas nas emoções; têm muita dificuldade de controlar os seus impulsos emocionais.

Paulo não ignora essa autoridade espiritual. Ele não somente fala sobre ela, mas também mostra que os demônios, por mais poderosos que sejam, foram submetidos a Deus através da obra da cruz. Eles foram desarmados, envergonhados e totalmente vencidos por meio do sacrifício de Jesus na cruz (Colossenses 2.15). Portanto, diante disso, os cristãos não devem se submeter às opressões malignas como se elas fossem mais fortes. Antes você, como cristão, deve voltar os seus olhos para a cruz e entender que ali os demônios perderam toda a autoridade que tinham sobre a sua vida.

Eles não estão mais em posição de dominar você ou suas emoções. Você não deve ter medo de demônios e nem daquilo que eles podem fazer contra a sua vida. Se alguma pessoa rogar uma praga ou fizer uma obra de feitiçaria contra você, não tenha medo. Lembre-se que na cruz todos os demônios perderam a autoridade que tinham sobre a sua vida de uma vez para sempre – não porque você fez isso ou aquilo, mas sim porque Jesus conquistou a vitória em seu favor.

Além disso, você deve também entender que, na cruz, você recebeu toda a autoridade, em Cristo Jesus, para ordenar aos demônios que se afastem de sua vida. Você faz parte do exército vencedor. Assim, é necessário ressaltar que, desde que você entenda a obra da cruz, você deve experimentar a liberdade. Você já não deve se submeter à culpa, ao legalismo ou às investidas demoníacas. Você não deve se colocar em jugo de escravidão; você é livre em Cristo Jesus.

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