Sorria, sua vida está sendo filmada

Por Hermes C. Fernandes
Como falar de privacidade num tempo em que estamos constantemente sendo filmados? Sentimo-nos como integrantes de um gigantesco Big-Brother. Há câmeras e olhares nos cercando por todos os lados. Nas ruas, shoppings, bancos, repartições públicas, etc. Só na Inglaterra cerca de cinco milhões de câmeras estão estrategicamente espalhadas para garantir a segurança da população.  Até nossos computadores e celulares vêm equipados de câmeras. Todos nos tornamos paparazzi em potencial.
Qualquer cena que nos chame a atenção é só sacar a câmera do celular, registrar e depois postar no Youtube. Além do mais, nossa vida sofre uma exposição sem precedentes através de nossos perfis nas redes sociais como Orkut, Facebook e MySpace.
Com isso, deixamos de viver para simplesmente atuar. A qualquer momento poderemos ser flagrados por alguma câmera indiscreta.
Como deveríamos agir diante desta realidade?
Uma das passagens mais intrigantes do Novo Testamento está registrada em Hebreus 12:1:
“Portanto, visto que nós também estamos rodeados de tão grande nuvm de testemuhas, deixemos todo embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com perseverança a carreira que nos está proposta.”

Quem seriam os integrantes de tal “nuvem de testemunhas”? Por quem estamos sendo constantemente observados?
O escritor sagrado tinha em mente os estádios greco-romanos, onde milhares de pessoas se reuniam para assistir ao espetáculo dos gladiadores ou às competições olímpicas.
No meio daquela multidão havia um lugar de destaque ocupado por César. Sem dúvida, ele era o principal expectador. Ele quem decidia se o gladiador vencido deveria ou não ser executado pelo vencedor. Era dele que partia a ordem pra que soltassem os leões a fim de devorarem os perdedores (ou em muitos casos, os cristãos).
A primeira pessoa a compor nossa platéia é Deus. Seus olhos nos acompanham desde o início até o fim de nossa corrida existencial. Como bem disse Davi, Seus olhos viram nosso corpo ainda informe, quando era modelado no ventre de nossa mãe (Sl.139:16). Em momento algum nos perde de vista. Cada lance, cada passo, cada pensamento é monitorado de perto. Isso não deveria nos inspirar terror, mas temor e segurança. É Seu olhar de amor e misericórdia que nos impede de cair. Ninguém torce mais por nós do que Aquele que nos projetou.
Somos também assistidos in loco por nossos contemporâneos. Uns torcem a favor, outros contra. Uns aplaudem, outros vaiam. Alguns  preferem a indiferença. Na verdade, somos, ao mesmo tempo, atores e platéia, protagonistas, coadjuvantes e até figurantes. Como atores (ou atletas, se preferir), devemos nos empenhar para dar o melhor de nós mesmos. Mas como platéia, temos o dever de nos estimularmos mutuamente ao amor e às boas obras (Hb.10:24). Não basta ser platéia, temos que ser torcida.
Também somos assistidos pelos que nos antecederam. Os que já passaram pela pista, agora ocupam lugar de honra na tribuna do estádio da vida. Todos os heróis da fé que nos precederam, após terem dado sua contribuição à humanidade, agora assistem atentamente à nossa performance. Mesmo os que falharam nos avaliarão à luz das oportunidades que tivemos, e das quais foram privados.
Jesus diz que no último dia os moradores de Sodoma se levantarão e condenarão a geração contemporânea de Cristo. Se Sodoma houvesse tido a oportunidade que tiveram os habitantes da Galiléia, ela teria se convertido, e, portanto, não teria sido destruída. Até a Rainha de Sabá, que viajou por milhares de quilômetros para ouvir a sabedoria de Salomão vai julgar os que desprezaram a própria sabedoria encarnada.
Lembro-me que na cerimônia de posse do atual presidente americano, Barack Obra, destacava-se do meio da multidão um cartaz erguido por uma mulher, em que se lia: “The Future is watching” (O futuro está assistindo). Aquilo me deixou pensativo.
Em outras palavras, geração futuras também nos avaliarão. É como se houvéssemos recebido uma procuração das próximas gerações. Falamos e agimos por eles. Assim como o dízimo entregue por Abraão a Melquisedeque foi creditado a Levi, que viveria três gerações depois, mostrando que os que recebem, também devem dar, nossas atitudes repercutirão por muitas gerações (Hb.7:9).
O futuro não apenas nos assiste, como colherá as conseqüências de nossas escolhas, sejam boas ou más.
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