A parábola do carrinho de limpeza

por Max Lucado

Leia antes: Parábolas inestimáveis: Introdução

O corredor está silencioso a não ser pelas rodas do carrinho de limpeza e do arrastar dos pés de um senhor.

Ambos soam cansados. Ambos conhecem esses pisos. Por quantas noites Hank os limpou? Sempre cuidadoso para limpar os cantos. Sempre atento para colocar sua placa de aviso amarela de cuidado em pisos molhados. Sempre rindo quietinho como é de seu costume. “Tenham todos cuidado,” ele ri para si mesmo, sabendo que não há ninguém por perto.

Não às 3 horas da manhã.

A saúde de Hank não é mais como era antes. A inflamação o mantém acordado. A artrite o faz mancar. Seus óculos são tão grossos que os seus globos oculares parecem duas vezes maiores. Ombros curvados. Mas ele faz seu trabalho. Jogando água com sabão em tapete de borracha. Esfregando as marcas de sapato deixadas pelos ricos advogados. Ele terminará uma hora antes de ir embora. Sempre acaba cedo. Tem acabado cedo por vinte anos.

Quando acaba, ele guarda seu carrinho e senta do lado de fora do escritório do sócio sênior e espera. Nunca sai mais cedo. Poderia. Ninguém saberia. Mas ele não sai.

Ele quebrou as regras uma vez. Nunca as quebrou de novo.

Algumas vezes, se a porta estiver aberta, ele entra no escritório. Não por muito tempo. Só para olhar. A sala é maior que seu apartamento. Ele passa seu dedo na mesa. Ele mexe no sofá macio de couro. Ele fica perto da janela e olha o céu cinzento tornar-se dourado. E ele se lembra.

Uma vez ele teve um escritório como esse.

Antigamente quando Hank era Henry. Antigamente quando o zelador era um executivo. Há muito tempo atrás. Antes do turno da noite. Antes do carrinho de limpeza. Antes do uniforme de manutenção. Antes do escândalo.

Hank não pensa muito sobre isso agora. Não tem razão para isso. Teve problemas, foi demitido, e saiu. Só isso. Não são muitas pessoas que sabem sobre isso. Melhor assim. Não há necessidade de contar a elas.

É seu segredo.

A história do Hank, a propósito, é verdadeira. Troquei o nome e um detalhe ou dois. Dei a ele um emprego diferente e o coloquei em um século diferente. Mas a história é real. Você a ouviu. Você a conhece. Quando eu der o nome verdadeiro, você se lembrará.

Mas mais do que uma história real, é uma história comum. É uma história de um sonho descarrilhado. É uma história de muitas expectativas chocando com realidades ásperas.

Acontece com todos os sonhadores. E como todos sonhamos, acontece com todos nós.

No caso do Hank, foi um erro que ele nunca consegue esquecer. Um erro grave. Hank matou uma pessoa. Ele encontrou um rufião espancando um homem inocente, e Hank perdeu o controle. Ele matou o assaltante. Assim que começou, Hank agiu.

Hank preferiu esconder-se a ir para a cadeia. Então ele correu. O executivo tornou-se um fugitivo.

História real. História comum. A maioria das histórias não é tão extrema quanto a de Hank. São poucos os que passam suas vidas fugindo da lei. Muitos, entretanto, vivem com remorsos.

“Eu poderia ter ido pra faculdade com bolsa de estudo por jogar golfe,” um rapaz me disse na semana passada na quarta base. “Tive um oferta assim que saí da escola. Mas entrei para uma banda de rock and roll. Acabou que nunca fui. Agora estou preso consertando portas de garagem.”

“Agora estou preso”. Epitáfio de um sonho descarrilhado.

Pegue um anuário de um colégio e leia a frase “O que eu quero fazer” sob cada foto. Você ficará atordoado de respirar o ar rarefeito de visões de pico de montanha:

“Entrar para uma faculdade que tenha prestígio”.

“Escrever livros e morar na Suíça”.

“Médico em um país de Terceiro Mundo.”

“Ensinar crianças carentes”.

Mas, leve o anuário para um encontro depois de vinte anos e leia o capítulo seguinte. Alguns sonhos se tornaram realidade, mas muitos não. Não que todos devessem, você pensa. Espero que o garoto miúdo que sonhava em tornar-se um lutador de sumô tenha caído em si. E espero que ele não tenha perdido sua paixão neste processo. Mudar de direção na vida não é trágico. Perder a paixão na vida é. Alguma coisa acontece conosco ao longo do caminho. As convicções para mudar o mundo se reduzem aos compromissos para pagar as contas. Antes de fazer diferença, pensamos em um salário. Antes de olhar adiante, olhamos para trás. Antes de olhar para fora, olhamos para dentro.

E não gostamos do que vemos.

Hank não gostou. Hank viu um homem que tinha se contentado com a mediocridade. Treinado nas melhores instituições do mundo, mas trabalhando no turno da noite por um salário mínimo para que ele não fosse visto durante o dia.

Mas tudo isso mudou quando ele ouviu a voz do carrinho de limpeza. (Mencionei que a história dele é real?)

No começo ele achou que a voz fosse uma piada. Alguns dos colegas do terceiro andar fazem esse tipo de brincadeira.

“Henry, Henry,” a voz chamou.

Hank se virou. Ninguém mais o chamava de Henry.

“Henry, Henry.”

Ele se virou em direção ao balde. Ele estava brilhando. Vermelho brilhante. Vermelho quente. Ele podia sentir o calor a 3 metros de distância. Ele chegou mais perto e olhou para dentro. A água não estava fervendo.

“Isto está estranho,” Hank balbuciou para si mesmo enquanto dava mais um passo para olhar mais de perto. Mas a voz o interrompeu.

“Não chegue mais perto. Tire seus sapatos. Você está em terra santa.”

De repente Hank soube quem estava falando. “Deus?”

Eu não estou inventando isso. Eu sei que você acha que estou. Sons malucos. Quase irreverentes. Deus falando de um carrinho de limpeza quente a um zelador chamado Hank? Isso seria acreditável se eu dissesse que Deus estava falando de uma sarça ardente a um pastor chamado Moisés?
Talvez com esta seja mais fácil de lidar – porque você já a ouviu antes. Mas só porque é Moisés e uma sarça ao invés de Hank e um carrinho de limpeza, não é menos espetacular.

Isso certamente impressionou Moisés. Nós queremos saber o que mais assombrou o velho amigo: Deus ter falado em uma sarça ou Deus ter falado.

Moisés, como Hank, cometeu um erro.

Você lembra sua história. Adotado pela nobreza. Um israelita criado em um palácio egípcio. Seus compatriotas eram escravos, mas Moisés era privilegiado. Comia à mesa real. Foi educado nas melhores escolas.

Mas a professora que mais o influenciou não tinha título. Ela era sua mãe. Uma judia que foi contratada para ser sua babá. “Moisés,” você quase pode ouvi-la sussurrar ao seu filho, “Deus o colocou aqui intencionalmente. Um dia você libertará o seu povo. Nunca se esqueça, Moisés. Nunca se esqueça.”

Moisés não se esqueceu. A chama da justiça ficou mais quente até explodir. Moisés viu um egípcio bater em um escravo hebreu. Assim como Hank matou o assaltante, Moisés matou o egípcio.

No dia seguinte Moisés viu o hebreu. Você acharia que o hebreu agradeceria. Ele não agradeceu. Ao invés de expressar gratidão, ele expressou raiva. “Você me matará também?” ele perguntou (veja Êxodo 2:14).

Moisés sabia que estava com problemas. Ele fugiu do Egito e se escondeu no deserto. Chame isso de mudança de carreira. Ele saiu de jantares com os cabeças do Estado e foi contar cabeças de ovelhas.

Dificilmente uma promoção.

E então aconteceu que um hebreu promissor e brilhante começou a pastorear ovelhas nas colinas. De faculdade com prestígio para remendo de algodão. Do Salão Oval para um táxi. De balançar um taco de golfe a cavar uma vala.

Moisés pensou que a mudança fosse permanente. Não há indicação de que ele alguma vez tivesse pretendido voltar ao Egito. Na verdade, há todas as indicações de que ele queria ficar com suas ovelhas. Descalço diante da sarça, ele confessou,

“Quem sou eu, para que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?” (Êxodo 3:11).

Fico feliz por Moisés ter feito essa pergunta. É uma boa pergunta. Por que Moisés? Ou, mais especificamente, por que Moisés com oitenta anos de idade?

A versão com quarenta anos de idade era mais atraente. O Moisés que vimos no Egito era impetuoso e confiante. Mas o Moisés que encontramos quatro décadas mais tarde é relutante e resistente.

Se você ou eu tivéssemos visto Moisés no Egito, nós teríamos dito, “Este homem está pronto para a batalha”. Educado nos melhores sistemas do mundo. Treinado pelos soldados mais habilidosos. Acesso instantâneo ao centro de influência do Faraó. Moisés falou sua língua e sabia de seus hábitos. Ele era o homem perfeito para o trabalho.

Nós gostamos de Moisés com quarenta anos. Mas Moisés com oitenta? De jeito nenhum. Velho demais. Cansado demais. Cheira como pastor. Fala como um estrangeiro. Que impacto teria no Faraó? Ele é o homem errado para o trabalho.

E Moisés teria concordado. “Tentei isso antes”, ele diria. “Aquelas pessoas não querem ser ajudadas. Só me deixe aqui para cuidar das minhas ovelhas. Com elas é mais fácil de lidar”.

Moisés não teria ido. Você não o teria enviado. Eu não o teria enviado.

Mas Deus enviou. Como você entende? Sentado aos quarenta e levantado aos oitenta? Por quê? O que é que ele sabe agora que não sabia naquela época? O que é que ele aprendeu no deserto que não tivesse aprendido no Egito?

Primeiro, os caminhos do deserto. O Moisés de quarenta anos era um garoto da cidade. O Moisés octogenário sabe o nome de todas as cobras e a localização de todos os poços. Se ele irá liderar milhares de hebreus no deserto, é melhor que ele saiba o básico sobre a vida no deserto pessoalmente.

Outro, como funcionam as famílias. Se ele irá viajar com famílias por quarenta anos, pode ser que entender como elas funcionam ajude. Ele se casa com uma mulher de fé, a filha de um pastor midianita e estabelece sua própria família.

Mas mais do que os caminhos do deserto e das pessoas, Moisés precisa aprender algo sobre si mesmo.

Aparentemente ele aprendeu. Deus diz que Moisés está pronto.

E para convencê-lo, Deus fala através de uma sarça. (Precisava fazer algo dramático para atrair a atenção de Moisés).

“Para fora da escola,” Deus fala para ele. “Agora é hora de trabalhar”. Pobre Moisés. Ele nem sabia no que estava matriculado.

Mas ele estava. E, adivinhe o quê? Você também está. A voz que sai da sarça é a voz que sussurra para você. Ela o lembra que Deus não terminou com você ainda. Ah, você pode achar que Ele terminou. Você pode achar que você já está cansado. Você pode achar que Ele tem outra pessoa para fazer o trabalho.

Se acha, pense novamente.

“Deus começou uma boa obra em vocês, e estou certo de que irá continuá-la até que esteja terminada quando Jesus Cristo voltar”.

Você viu o que Deus está fazendo? Uma boa obra em você.

Você viu quando Ele irá terminá-la? Quando Jesus voltar.

Posso deixar a mensagem clara? Deus ainda não terminou com você.

O seu Pai quer que você saiba isso. E para convencê-lo, Ele pode surpreendê-lo. Ele pode falar através de uma sarça, um carrinho de limpeza, ou mais estranho ainda, Ele pode falar através deste texto.

 

Tenha um dia abençoado! Carla Ramos.

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