Uma frase que deve ser aposentada

Eu ouvi pela primeira vez essa frase de um pastor, meu amigo, que eu gosto e respeito muito. Eu achava a frase provocativa, chamativa, e que fazia sentido, então a repeti várias vezes. Logo, percebi que outras pessoas, ao ouvirem de mim, passaram a repeti-la também.

Não muito tempo depois, comecei a questionar a verdade daquelas palavras. De fato, só foram necessários alguns minutos de reflexão (após alguns meses usando a frase) para perceber que, apesar bem intencionada, era parcial e biblicamente indefensável. Essa frase é usada por pastores que gostam de sacudir as bases de suas congregações. É mais ou menos assim: “A igreja não é para você”.

Em nossos melhores dias, o que os pastores querem dizer é: “Não pense só em você mesmo. Não fique confortável aqui porque aqui estão seus amigos e as suas programações. Pense nas pessoas que ainda não estão aqui. Pense no seu próximo que precisa ouvir o evangelho. Vamos nos dispor a fazer alguns sacrifícios pelo bem dos perdidos. Vamos largar algumas das nossas preferências e um pouco do nosso conforto para que novas pessoas se sintam em casa aqui. Nós temos a salvação. Temos uma família na igreja. Conhecemos Jesus Cristo e temos a esperança da vida eterna. Lá fora, eles tem o inferno, e estão longe de Deus, no mundo. Não vamos ser uma igreja egoísta quando há tantas pessoas perdidas do outro lado dessas paredes”.

Era isso que eu queria dizer quando falava “a igreja não é para você”. Tenho certeza que era isso que meu amigo queria dizer também (apesar de algumas pessoas quererem dizer coisas piores). Mas por mais que os pastores tentem enfatizar o evangelismo e a expansão, dizer à congregação que “a igreja não é para vocês” é o caminho errado para isso.

Um dos maiores presentes de Deus para o cristão é a igreja. Ela é para nós assim como Deus é por nós. A adoração, apesar de ser para Deus, serve para nossa edificação – para a edificação dos crentes, não para tocar primariamente os não crentes (apesar de querermos também que eles entendam o que está acontecendo). Tão importante quanto é lembrar dos mandamentos que visam o próximo. A igreja deve ser um lugar para carregarmos os fardos uns dos outros, cuidarmos, confortarmos, demonstrar carinho, exercitar hospitalidade, trocar cumprimentos, oferecer encorajamento, exortar, receber perdão – basicamente, expressar a fé em ações de amor. E não é o amor um pelo outro a marca mais distinta da comunidade cristã?

Uma outra coisa: não esqueça que a Grande Comissão nos chama para fazermos discípulos, não decisões. Sou a favor de decisões por Cristo (no contexto certo), mas o objetivo da igreja não é simplesmente as muitas conversões. Jesus disse aos discípulos (e à igreja, por extensão, acredito eu) que a comissão deles era ensinar às nações a obedecerem tudo que ele havia ordenado. Devemos crescer em Cristo tanto quanto devemos nos achegar a ele. Assim, a escola bíblica dominical não é uma distração da missão. Pequenos grupos de estudo bíblico (novamente, no contexto certo) não são expressões bobas do cristianismo-bolha, que nos cerca e nos afasta dos propósitos da igreja. Sermões, mesmo os que entram em áreas de disputas teológicas ou que falam sobre doutrinas profundas, não precisam ser apenas um exercício de estufar mais ainda os cristãos de conhecimento enquanto o mundo perece, afastado de Cristo. Teologia não é inimiga da conversão, e querer que a vida cristã seja uma bênção não é o que há de errado com o mundo.

Digo amém para o evangelismo. Amém para os cultos que reconhecem a presença dos não cristãos. Amém para os cutucões nos cristãos, para servirem de formas diferentes além de lerem livros. Mas algumas vaias para os membros da igreja insatisfeitos com uma igreja que os ama, os ensina e cuida de suas almas. A frase soa profética e eu entendo as boas intenções, mas não há nenhuma base bíblica para dizer ao povo de Deus que “a igreja não é para vocês”. Melhor é dizer como o Apóstolo Pedro diria: a igreja “é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para todos quantos o Senhor, o nosso Deus, chamar”.

via iPródigo

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