Crer também é agir

Por Humberto Ramos

A carta de Tiago já significou problema para muitos teólogos protestantes. Lutero mesmo chegou a demonstrar interesse em rejeitar esta epístola.

Uma das principais instruções do irmão de Jesus dizia respeito à vida cristã sem obras; e a reforma sentenciaria mais tarde que a salvação é pela fé e simplesmente por ação gratuita de Deus. Ou seja, não há nada que se possa fazer para alcançar a salvação. Havendo este dogma protestante, como conciliá-lo com as duras palavras do escritor epistolar? “Mostra-me a tua fé sem tuas obras, e eu lhe mostrarei a minha fé pelas minhas obras” (Tg 2. 18). E também: “a fé sem obras é morta”.

Se somos salvos pela Graça de Deus, e não há nada que possamos fazer para ter a salvação, em que lugar da nossa teologia ficarão as obras, as boas ações, o esforço comportamental que nos leva a praticar o bem? Recordo-me de uma inteligente canção da banda estadunidense Petra, que dizia: “Vistos e não ouvidos, algumas vezes os filhos de Deus deveriam ser vistos e não ouvidos … Tem muita conversa e é pouco o que se faz.”.

É exatamente disso que Tiago fala. Há muito blá-bláb-blá de gente falando sobre missão integral, evangelho genuíno, tradição, ortodoxia, luta contra as seduções e deturpações do movimento neopentecostal, mas, contudo, não se vê quase nada concreto. Tudo é teologia não-aplicada, teoria excitante para a mente dos “pensadores” cristãos.

Enquanto muitos de nós nos perdemos em devaneios teológicos, uns poucos vivenciam tudo aquilo que discutimos em exaustão em nossos sites, blogs, e salas de estudo bíblico sem nem mesmo saberem as definições que sabemos, os nomes que criamos para denominar este ou aquele movimento teológico.

Por isso eles poderiam muito bem nos dizer “mostra-me a tua fé, tua teologia, tradição, ortodoxia e o que mais você quiser me mostrar, e eu te mostrarei só a minha fé, o meu jeito de crer, com as minhas ações.’

Encarnação da fé evangélica. Isso é o que Tiago tratou em seu tempo. Incitou a família da fé a transformar em carne, sangue, suor e lágrimas a mensagem pregada e vivida por Jesus de Nazaré.

Assim que deve ser, afinal “somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10).

Se eu tivesse oportunidade de falar com o bom velhinho John Sott, eu lhe suplicaria que escrevesse uma continuação do seu pequeno livreto Crer é também pensar. A esse segundo opúsculo – porque seria pequenino, afinal ele já está bem velho e cansado – eu sugeriria o título de Crer é também agir. Pensando bem, a única coisa nova para ele (e para nós, seus leitores) seria o título; por que sobre prática da fé que professamos ele já disse muito em seus diversos livros e também com sua própria vida.

Encarnação, essa é a palavra!

 

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