Amando meu próximo invisível

Por Russell D. Moore

É fácil para mim amar meu próximo. É fácil, e é mesmo, desde que meu próximo seja invisível.

Com isso eu quero perguntar: você já notou como é abstrata e sutil grande parte da nossa retórica cristã?

Alguns cristãos discursam repetidas vezes sobre “A Família” enquanto negligenciam seus filhos. Alguns cristãos “lutam” por “justiça social” e por uma “conscientização” sobre “O Pobre” enquanto julgam o quanto seus amigos estão na moda. Alguns cristãos doutrinam sobre “A Igreja” enquanto desprezam as pessoas de sua atual congregação. Alguns cristãos são dogmáticos sobre “A Verdade” enquanto estão iludidos sobre sua própria escravidão do pecado.

Acredito que seja uma tendência da maioria de nós, de um jeito ou de outro. Afirmamos as coisas certas, quer na doutrina ou prática cristã, mesmo que tenhamos de lutar contra outros sobre elas. Mas fica tudo no mundo irreal. Essas coisas são “questões”, não pessoas.

“A Família” nunca aparece inesperadamente para as festas de Ações de Graças, nunca critica seu cônjuge ou derrama leite com chocolate por todo o seu carpete; somente famílias reais fazem isso. “O Pobre” não aparece bêbado para a entrevista de emprego que você agendou para ele, ou gasta o dinheiro que você deu em bilhetes de loteria ou diz que te odeia; só o pobre real faz isso. “A Igreja” nunca vota contra o que eu defendo em uma sessão administrativa da congregação, nunca me coloca em situação embaraçosa devido a um musical de páscoa ruim ou me pergunta quando vou ajudar a limpar os banheiros para a Escola Bíblica de Férias da próxima semana; só a igreja real faz isso. “A Verdade” nunca vai contra minhas ideias e expectativas; só a revelação de Deus em Cristo faz isso.

Enquanto “A Família”, “O Pobre”, “A Igreja” e “A Verdade” são conceitos abstratos, enquanto minha interação for tão distante quanto um argumento ou certo política, então eles podem ser quem eu quero que eles sejam.

O Espírito nos alerta sobre isso. Jesus combateu os fariseus que “lutavam” pela Lei de Deus, enquanto ignoravam suas obrigações financeiras com seus pais, tudo sob o disfarce de suas ações religiosas (Mc 7.10-12).

E Tiago, particularmente, nos mostra a diferença entre a “luta” por uma causa e amar as pessoas. “Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: ‘Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se’, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso?” (Tiago 2.15-16). “Aqueça-se e alimente-se” é retórica; “fique aqui” é amor.

Se você ama pessoas invisíveis, não deve se surpreender por não aceitarem um evangelho inacreditável.

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