O dom da amizade e a piedade dos bons amigos

Por Kevin de Young

Nós conversamos muito sobre relacionamentos na igreja. Há um grande número de seminários, retiros e conferências sobre casamento. Existem séries e livros para recém-casados e noivos. Quase toda igreja oferece aconselhamento conjugal e a maioria dos pastores prega regularmente algo sobre casamento. Acontece o mesmo para com a criação de filhos. Existem dezenas de livros sobre educação de crianças. Há classes de escola dominical, blogs e ministérios que focam no relacionamento paternal. Tudo isso é bom.

Mas você já percebeu que raramente estudamos a amizade? Dos relacionamentos, é o assunto mais importante menos comentado na igreja.

Pense sobre os seus melhores prazeres na vida. Eles provavelmente concentram-se em torno dos seus amigos –  os momentos divertidos saindo, as ótimas conversas, o riso, o compartilhamento, o prazer de conhecer mais profundamente alguém ou um grupo de pessoas.

Agora, pense nas horas mais dolorosas da vida. Sem dúvida, doença e tragédia estão na lista. E ainda, frequentemente essas dificuldades são suavizadas com o apoio de amigos e da família. Mas quando a amizade vai mal – quando as coisas ficam complicadas ou você se sente como de fora – nenhum grau de saúde e prosperidade pode preencher esse vazio. Praticamente tudo ruim pode ser maravilhoso com amigos, e quase tudo bom pode ser terrível sem eles.

Praticamente tudo ruim pode ser maravilhoso com amigos, e quase tudo bom pode ser terrível sem eles.

O pior verão da minha vida foi o verão que passei enfiado em uma cabana nas montanhas do Colorado trabalhando em um livro do governo. Por três meses, trabalhei 10 horas por dia estudando ciência política com um colega de classe e o nosso professor de faculdade. Não tínhamos eletricidade (carregávamos nossas baterias do laptop na cidade todo dia) e nem tubulação interna (nós usamos um banheiro externo). Mas esse não era o principal problema. Me acostumei com o estilo de vida rústico. O problema era a ausência dos amigos. Eu estava rodeado por uma beleza natural incrível, empenhado em um trabalho que gostei bastante, e com tempo, toda noite e todo final de semana, para ler, correr, ou explorar. Mas eu estava infeliz porque me sentia sozinho.

É surpreendente que não falemos mais sobre amizade na igreja. Dependendo de como você define amizade, é provável que a Bíblia tenha mais a dizer sobre a relação de amigo que sobre casamento e paternidade. Além disso, aposto que a “satisfação” da igreja é amplamente baseada em duas coisas. Se você achar fiéis felizes, aposto que achará esses dois itens presentes, e onde os membros da igreja estiverem infelizes, posso quase garantir que esses dois itens estão ausentes: ensino de qualidade e relações de qualidade. Sem dúvida, há outros aspectos importantes da vida da igreja. Mas, para a maioria das pessoas, esses são os dois que mais importam. As pessoas querem uma igreja que as ensinem bem (o que inclui sermões, músicas, classes, e estudos bíblicos) e uma igreja onde elas possam fazer amigos.

Eu não sei se fazer amigos está mais difícil do que nunca. Em alguns casos, com viagens e tecnologia, é mais fácil do que costumava ser. Mas ainda existe um número de fatores que vão contra a genuína amizade.

  • Somos extremamente nômades, se movendo de um lugar para outro, raramente fixados em um lugar por um longo período.
  • Somos consumidos pela vida familiar, gastando quase todo o nosso tempo livre com os nossos filhos e o que sobrar com o cônjuge.
  • Somos enganados por e-mail e Facebook, imaginando que temos centenas de relações espetaculares quando, na verdade, temos muitos simpatizantes e conhecidos, e poucos amigos de carne e sangue.
  • Estamos maravilhados com alguma relação de mão única, gastando energia emocional ao criar laços com o nosso ator de seriado, superatleta, ou concorrente do Ídolos favorito.

A amizade é maravilhosa, e todos queremos isso. Mas amigos podem ser difíceis de encontrar. Isso não é novidade. Um verdadeiro amigo é sempre um dos dons divinos mais desejados. “Muitos proclamam a sua própria benignidade; mas o homem fidedigno, quem o achará?” (Provérbios 20.6). Felizmente, o livro de Provérbios tem muito a dizer sobre a amizade. Ele não vai te ajudar a achar amigos, pelo menos não diretamente. Mas Provérbios vai te ajudar a ser um amigo melhor. E os melhores amigos geralmente têm os melhores amigos. Em particular, Provérbios nos convida a perguntar três questões relacionadas à amizade. Você é falso? Você é rude? Ou você é fiel? Vamos olhar essas três questões nesse e no próximo post. Seja um amigo e prossiga.

Questão 1: Você é um amigo falso?

Há uma característica que define o amigo falso em Provérbios: ele usa pessoas. O amigo falso faz amizade com pessoas que podem dar coisas a ele. Ele estabelece relações somente para ganho pessoal. Em Provérbios, isso significa dinheiro.

  • “As riquezas multiplicam os amigos; mas, ao pobre, o seu próprio amigo o deixa.” (19.4)
  • “O pobre é odiado até do vizinho, mas o rico tem muitos amigos” (14.20)
  • “Ao generoso, muitos o adulam, e todos são amigos do que dá presentes. Se os irmãos do pobre o aborrecem, quanto mais se afastarão dele os seus amigos! Corre após eles com súplicas, mas não os alcança.” (19.6-7)

É difícil dizer se Provérbios está fazendo julgamento moral daqueles que agradam os ricos. Certamente, parte do ponto é simplesmente mostrar o privilégio do rico contra o do pobre. Mas acho devemos reconhecer a falsidade nesses amigos. Amigos fiéis são difíceis de encontrar (Pv .20.6). Amigos falsos vêm em abundância, e eles vêm pelas suas coisas.

O amigo falso faz amizade com pessoas que podem dar coisas a ele. Ele estabelece relações somente para ganho pessoal.

Amigos falsos usam pessoas. Dinheiro é o exemplo em Provérbios, mas existem outras formas de usar as pessoas. Alguns se aproximam de pastores ou políticos ou atletas porque querem acesso, poder, ou popularidade. Outros podem estar tão acostumados a solicitar favores por assuntos de negócio ou de escola ou de igreja que já não podem dizer quando o charme pessoal é genuíno e quando é uma atuação. Nenhum de nós está imune aos perigos da amizade falsa. É possível divulgar um livro, falar em uma conferência, se entusiasmar com um blog, ou fingir companheirismo com um cristão influente e famoso, e o tempo todo se perguntar se estamos fazendo isso para receber o mesmo tratamento.

Há alguns anos, li um livro sobre Billy Graham e os presidentes. O que mais me impressionou foi como esse homens poderosos receberam Graham em suas vidas porque ele parecia a única pessoa que não queria nada deles. A história mostrou que eles frequentemente queriam algo de Graham, mas ele deu a eles o dom da amizade sem manipulação. Ele não foi um falso amigo.

Se eu alguma vez entrar no negócio de escrever biscoitos da sorte, este seria um dos meus primeiros: “Cuidado com o amigo que coça as costas. Ele não deseja o seu melhor de coração.”

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